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AVC: Impacto que na qualidade de vida pessoal e familiar

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Certamente já ouviu falar de “trombose” ou mais corretamente Acidente Vascular Cerebral (AVC), mas será que compreende o que é e o impacto que tem na qualidade de vida pessoal e familiar?

Num estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde, numa amostra de 2013, apurou-se que 1,9% da população residente em Portugal Continental é afetada por esta condição. Tem maior prevalência no sexo masculino, em idades compreendidas entre os 65 e os 74 anos, no Alentejo e em correlação com a maior incidência de hipertensão arterial (HTA) não controlada.

Em 2014, o AVC Isquémico representou cerca de 20 mil episódios de internamento. Em 2015, pela primeira vez, as doenças cardiovasculares situaram-se abaixo dos 30%, revelando resultados das medidas preventivas e da organização dos serviços de saúde. Em 2019 o INEM registou 4529 casos encaminhados para a via verde do AVC.

Sendo a principal causa de morte em Portugal, torna-se necessário um bom entendimento do tema. A Esferasaúde explica:

O AVC resulta de uma alteração da corrente sanguínea no cérebro, por bloqueio à passagem do sangue ou por hemorragia, levando à destruição do tecido cerebral nesse território. Uma vez que é o cérebro que comanda todas as nossas funções, as sequelas de um AVC podem ser muito variadas, nomeadamente:

– Diminuição/Perda dos movimentos e força muscular;

– Diminuição/Perda da sensibilidade;

– Diminuição/Perda do equilíbrio e da marcha;

– Alterações da fala, linguagem e comunicação verbal e escrita;

– Assimetria facial com boca descaída;

– Incontinência urinária e fecal;

– Alterações de humor e de várias funções cognitivas (memória, cálculo…);

– Diminuição/Perda da capacidade de realizar as atividades do quotidiano: alimentação, higiene, vestir/despir, caminhar, comunicar, etc.

 

Alguns fatores poderão aumentar o risco de ocorrência de um AVC, nomeadamente:

– Idade avançada;

– Género masculino;

– Hereditariedade;

– Hipertensão Arterial;

– Tabagismo e alcoolismo;

– Doenças Cardiovasculares;

– Diabetes;

– Obesidade;

– Sedentarismo;

– Colesterol elevado.

Sendo a maior parte destes fatores de risco modificáveis, a prevenção assume um lugar de destaque. Modifique rotinas hoje para que amanhã não pague com a saúde.

 

Após um AVC, a recuperação depende em grande parte da rapidez e qualidade dos cuidados prestados. Assim sendo, é importante que saiba reconhecer os sinais de alerta que podem indicar que está a sofrer um AVC e ligar de imediato ao 112 referindo esses mesmos sinais:

– Dor de cabeça intensa;

– Vómitos;

– Perda de força súbita ou gradual num dos lados do corpo, podendo levar a queda;

– Boca descaída, não conseguindo conter os líquidos;

– Alterações na fala;

– Alteração na visão;

– Confusão e desorientação.

Procure ajuda médica rapidamente!

Segundo as recomendações internacionais o utente deve dar entrada num hospital especializado num prazo máximo de 3h após a ocorrência, podendo o tratamento precoce ser a diferença entre a vida e a morte, a recuperação total e a dependência para toda a vida!

Se desconfiar que alguém possa estar a sofrer um AVC, coloque-o deitado sobre o lado direito, e certifique-se regularmente de que está a respirar, vigiando até à chegada de profissionais competentes.

Após os primeiros cuidados hospitalares (internamento), é fundamental prosseguir ou iniciar o programa de Reabilitação. O sucesso do protocolo de reabilitação composto por uma equipa multidisciplinar é comprovado por numerosos estudos no ganho da independência funcional, reintegrando o indivíduo na comunidade. Evidências demonstram que uma intervenção precoce leva a resultados mais favoráveis, devendo ser iniciada nos primeiros dias após a ocorrência do AVC.

Nos três primeiros meses a reabilitação assume um papel fundamental, sendo nesta fase que os ganhos serão maiores. No entanto, o sucesso da recuperação do utente com AVC em muito depende do seu envolvimento, juntamente com os cuidadores, no programa de tratamento. Se lhe foi diagnosticado um AVC, é importante que perceba que deve assumir um papel ativo na sua própria reabilitação e recuperação. Os profissionais de saúde, nomeadamente o médico, fisioterapeuta, o terapeuta ocupacional e o terapeuta da fala, vão ser facilitadores do processo, mas todo o esforço e trabalho terá de partir de si! Desde o controlo dos fatores de risco, ao processo de reabilitação funcional. É um processo longo e duro, mas de sucesso comprovado quando todos se dedicam.

O indivíduo com AVC poderá apresentar alterações de comportamento, compreensão, orientação e humor. Sendo cuidador, por vezes torna-se um desafio lidar com esta situação. Tente sempre manter a calma, lembre-se que a pessoa que está sob os seus cuidados poderá estar a experimentar sentimentos de revolta face à sua própria condição, sentindo-se inútil, querendo isolar-se, podendo levar à depressão. Deve incentivar a manutenção de rotinas, saindo de casa, participando em atividades sociais, e a realização de tarefas, prestando apenas a ajuda necessária, mesmo que estas levem mais tempo a ser efetuadas, isto vai aumentar a autoconfiança e ajudar na recuperação do utente.

 

Com o AVC surge uma série de adaptações e cuidados que deve considerar. Aprenda algumas dicas connosco:

– Retire todos os tapetes de casa e móveis pequenos que limitem as passagens;

– Use tapetes antiderrapantes na banheira e base do chuveiro e acrescente uma barra de apoio na parede;

– Opte por cadeiras com apoio de braços e altura ajustável, para que os pés fiquem bem apoiados no chão e as coxas quase completamente apoiadas na cadeira;

– Use a mesinha de cabeceira do lado não lesado, assim como uma mesa de apoio quando está sentado, com os objetos mais utilizados por perto, para promover a máxima autonomia do utente;

– Use roupa fácil de vestir: fatos de treino, calças e camisolas. Os vestidos e as meias-calças, apesar de atraentes, são mais difíceis de vestir. Opte por fechos ou molas em vez de botões;

– Use calçado justo ao pé, fechado no calcanhar e opte por velcros em vez de cordões. Não deve usar chinelos, apesar de mais fáceis para calçar, também aumentam o risco de queda;

– Para vestir a parte superior do corpo, comece pelo lado afetado. Faça o inverso para despir;

– Para vestir a parte inferior do corpo, faça-o com o indivíduo sentado, e quando a roupa está acima dos joelhos, passar para a posição de pé (prestando apenas a ajuda necessária) e puxar a roupa;

– Na alimentação deve incentivar o uso do braço lesado, mesmo que suje mais e seja um processo mais lento. Se não existir movimento suficiente, o braço deve ser mantido em cima da mesa, devidamente apoiado;

– O posicionamento do utente é muito importante, sendo essencial para manter uma boa mobilidade e comprimento muscular. Adote sempre posições simétricas, com o peso distribuído de igual forma em ambos os lados. Certifique-se que, do lado afetado, a mão não cruza o corpo além do umbigo, idealmente deve permanecer apoiada no braço da cadeira, ou numa mesa de apoio do lado lesado.

Questione o fisiatra/fisioterapeuta/terapeuta ocupacional/terapeuta da fala que o segue, sempre que surgirem dúvidas. Já sabe:

Olhamos por si!

 

Artigo escrito por: Fisioterapeuta Diana Lobo

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